sexta-feira, 21 de novembro de 2014



Estar sozinho até que é bom
mas é foda!!!

Não recomendo.

Saímos em busca do outro
para satisfazer uma
necessidade 
vital
É o sentido da vida
interagir, ser amado
Amar
ser livre 
e admitir a liberdade do
outro

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SONHAÇOS SOMBRANCEIROS (numa hora dessas!!!)



Linda maripousa, foder-te-ei em Veneza ao largo das gondolas nefluviosas e malsãs. Malgrado tua mãe me pressionando ao inconúbilo casamento que por hora nem pensar estou, caminho entre vulvas tectrônicas altamente cabeludas, reflorestando o pequeno planeta que tristemente se esgota em xurumelas e estortilces pseudopolíticas, aguardando novo extermínio mundial para que tudo ao mesmo retorne. No más......niente.....niente....niente.
Só sonhar.... sonhar....sonhar

Sósonhemos as pampas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

MANOEL DE BARROS

Hoje morreu, em Campo Grande (MS), o poeta cuiabano Manoel de Barros, aos 97 anos. Há exatos 16 anos tive a enorme honra de entrevistá-lo, coisa rara, porque ele não gostava de dar entrevistas. O poeta exigiu que a conversa não fosse gravada e tive que anotar tudo num bloquinho da Folha de S.Paulo em velocidade cometa. Foi um papo delicioso, claro, num café do Leblon. O lúdico, onírico, quase surreal da poesia de Manoel de Barros me emociona. É como viajar de ácido sem ter tomado ácido. Bernardo Bernardo já estava uma árvore quando eu o conheci. Passarinhos já construíam casa na palha do seu chapéu. Brisas carregavam borboletas para o seu paletó. E os cachorros usavam fazer de poste as suas pernas. Quando estávamos todos acostumados com aquele bernardo-árvore ele bateu asas e avoou. Virou passarinho. Foi para o meio do cerrado ser um arãquã. Sempre ele dizia que o seu maior sonho era ser um arãquã para compor o amanhecer. Ao mesmo tempo, Manoel era um mago no uso das palavras, um laborioso esteta do léxico. Em nossa conversa, ele fala de um dicionário desbeiçado de tanto manuseio… Retrato do Artista Quando Coisa A maior riqueza do homem é sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas. Vale a pena ler a entrevista (publicada originalmente no jornal Folha de S.Paulo em 10/11/1998). *** CYNARA MENEZES enviada especial ao Rio A poesia do mato-grossense Manoel de Barros, 81, deve menos à exuberante paisagem pantaneira que à inveja confessa que sente do matuto Bernardo, peão de sua fazenda há mais de meio século. “Bernardo é o que eu queria ser”, diz o poeta. Essa inveja que Manoel de Barros nutre por Bernardo é tão grande que muito do que há no novo livro do poeta, Retrato do Artista Quando Coisa, é, na verdade, inspirado no peão. A “coisa” é Bernardo, não Manoel. “Retrato do artista quando coisa: borboletas já trocam as árvores por mim”, diz o poema que abre o livro. É puro Bernardo, encarnação viva do “bom selvagem” de Rousseau, cuja inocência Manoel de Barros persegue como um tolo busca a sabedoria. Nos ombros de Bernardo, qual coisa que é, pousam insetos e passarinhos. Foi contratado pela família do poeta quando tinha 18 anos, para cuidar de uma tia de Manoel, louca furiosa e mantida presa em um quarto com grades. “Quando ela viu Bernardo, ficou mansa. Os puros têm uma inocência que transmitem aos loucos, aos bichos e aos poetas, também”, diz o escritor. A nova obra de Manoel de Barros está repleta desses “puros” de espírito tão invejados –há, além de Bernardo, o índio guató Salustiano e os andarilhos Passo-Triste e Pote Cru, saudados por ele como pastores que o guiarão até a inocência. A busca começou ainda nos anos 30. Nascido em Cuiabá em dezembro de 1916, aos 20 –bem antes, portanto, de beatniks e hippies aparecerem–, Manoel enveredou por uma viagem que começou na Bolívia e terminou em Nova York. Entre os índios bolivianos, “fascinado”, permaneceu seis meses. A cultura dos museus e teatros seria o choque que viria depois, já em território norte-americano. O encontro dos dois mundos fortaleceu a admiração pelos clowns do cinema que persiste até hoje. “Gosto de Chaplin, do Gordo e o Magro, dos Trapalhões, dos irmãos Marx”, diz Manoel. “Todos os dias acordo às cinco da manhã, tomo guaraná –meu pai me viciou–, vou para o escritório e lá fico descascando palavras. Quando desço, ao meio-dia, tomo um uísque (bebe álcool diariamente) e ligo a TV para ver o Chaves.” O escritor, que, é preciso dizer, também possui um jeito clowniano à Groucho Marx, com seu bigode e cabelos brancos em desalinho, explica que usa o palhaço mexicano como um respiro. “É para me livrar um pouco da literatura, que dá muita angústia.” Diz-se tímido, mas é simpático e bem-humorado. Conta que trabalha com lápis e borracha para apagar as “besteiras” quando aparecem. “A borracha é minha salvação”, brinca. A mulher, Stella, companheira há 51 anos, é a primeira leitora e a maior crítica. “Quando acho que já ‘pari’, mostro para ela, que diz: “Não está bom ainda, vai trabalhar’. Isso umas três vezes. Quando ela diz que está bom, aí eu mando para a editora tranquilo.” compendio (Capa da primeira edição do Compêndio…, de 1960) “As palavras se oferecem no cio para mim” Se Drummond dizia lutar com a palavra, Manoel de Barros afirma “bolinar” os vocábulos, como um amante desavergonhado. “As palavras se oferecem no cio para mim. Tenho uma relação erótica com elas”, diz o poeta mato-grossense. De tanto “bolinar”, seu dicionário favorito está “desbeiçado”, com a lombada torta das retiradas frequentes da estante. Diz não possuir inspiração, poemas que o acordem no meio da noite, mas, às vezes, vê surgir uma idéia, uma palavra. “Quem tem muita informação perde o condão de adivinhar”, ensina. “A poesia nasce do desconhecido.” O tempo para a “bolinação” diária foi obtido após anos de trabalho pesado na fazenda herdada do pai, no Pantanal, levantando cercas, construindo a casa, tratando do gado. “Passei dez anos dependurado em bancos. Não dormia, não fazia versos. Isso tudo só para conquistar a vagabundagem. Não sou Dostoiévski para escrever sob pressão. Construí meu ócio”, diz. Trauma de juventude: morou no Rio na mesma pensão que Graciliano Ramos e ainda guarda a visão do escritor apertado com família e filhos em um quarto, escrevendo em um canto, o copo de pinga e muitas bitucas de cigarro à frente. Manoel já era escritor naquela época. Escreveu seu primeiro livro, Poemas Concebidos sem Pecado, aos 19. Ficou conhecido, porém, só aos 64, em 1980, quando Millôr Fernandes, que ilustra sua nova obra, recebeu um livro seu e o divulgou. Surgiram os rótulos: “poeta ecológico”, “surrealista”, “primitivo”. O último é o menos rejeitado. Ecológico é o pior. “Poesia para mim é linguagem, não paisagem”, diz. “Dentro de mim existe um lastro que é o brejal. Misturo dicionários com o brejo, não faço nada mais do que isso.” Não só coloca o Pantanal como elemento (e não tema central) de sua obra, como diz adorar o Rio, onde passou parte da infância e juventude. Uma frase sua encerra a discussão: “Vivo no Pantanal, mas gosto mesmo é do Leblon”. Tão recente, a fama o incomoda. Entrevistas, só sem gravador. Mas, quando fala dos prêmios que têm recebido, os olhos pequenos brilham de contentamento. Na quinta-feira passada, no Rio, recebeu o mais recente deles, pelo reconhecimento da obra, concedido pelo Ministério da Cultura. Então se metamorfoseou de vez em Bernardo, na reação simples e sem vaidade, como peão que embolsasse os ganhos pela empreitada. “Gosto de prêmios quando tem dinheiro. Esse é bom, “vinte e cincão’ (R$25 mil). Descobriram que tenho uma obra.” *** Assista também ao documentário Só Dez Por Cento É Mentira, de 2008, dirigido por Pedro Cezar. Uma viagem no universo de Manoel de Barros com entrevistas inéditas do poeta. Como bônus, um vídeo com os poemas de Manoel de Barros, desenhos de Evandro Salles, música de Tim Rescala, roteiro de Bianca Ramoneda e direção de Márcia Roth: histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo. Por Cynara Menezes Em CINE MORENA @cynaramenezes

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Maria Bethanea e Paulo Cesar Pinheiro


Não mexe comigo, que eu não ando só,
Eu não ando só, que eu não ando só.
Não mexe não! 

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis,
Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro,
Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris,
Zarabatanas, curare, flechas e altares.
À velocidade da luz, no escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera.
Eu tenho Jesus, Maria e José, todos os pajés em minha companhia,
O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

Não mexe comigo, que eu não ando só,
Eu não ando só, que eu não ando só.
Não mexe não! 

Não misturo, não me dobro.
A rainha do mar anda de mãos dadas comigo, 
Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.
É do ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda meu corpo,
Garante meu sangue, minha garganta.
O veneno do mal não acha passagem
E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro.
Tô no recôncavo, tô em Fez.
Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

Não ando no breu, nem ando na treva
Não ando no breu, nem ando na treva
É por onde eu vou, que o santo me leva
É por onde eu vou, que o santo me leva 

Medo não me alcança.
No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo.
Meus pés recebem bálsamos, unguentos suaves das mãos de Maria
Irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia.
Pessoa que eu ando só, atente ao tempo. Não começa, nem termina, é nunca é sempre.
É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a Justiça.

Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão,
E pra onde você for, não leva o meu nome não
E pra onde você for, não leva o meu nome não 

Onde vai valente?
Você secou, seus olhos insones secaram, não veem brotar a relva que cresce livre e verde longe da tua cegueira.
Seus ouvidos se fecharam à qualquer música, qualquer som, nem o bem, nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe.
Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa.
Apenas vaga sobre o planeta, e já nem ouve as teclas do teu piano.
Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma.
Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

O que é teu já tá guardado.
Não sou eu quem vou lhe dar,
Não sou eu quem vou lhe dar,
Não sou eu quem vou lhe dar.

Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.
Minha fome é matéria que você não alcança.
Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brotam do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.
Se choro, quando choro, e minha lágrima cai, é pra regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.
Vivo de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar.
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta.

Não mexe comigo, que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe comigo!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O velho e o mar



Rússia/Canadá/Japão, 1999. 

Direção de Aleksandr Petrov. 

Ganhador do Oscar em 2000 como melhor curta animado, a adaptação do clássico de Ernest Hemingway, "O Velho e o Mar" é uma obra prima do animador russo Alexander Petrov. O curta com pouco mais de 20 minutos de duração, demorou pouco mais de 2 anos para ser produzido, pois Petrov pintou a óleo e fotografou cada um dos 29 mil frames em quadros de vidro. Para quem não sabe, O Velho e o Mar foi o último livro de Hemingway publicado durante a sua vida e conta a história de um velho pescador que decide enfrentar o alto mar em busca de um peixe gigante.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

DO LEITOR


Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objectivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjectiva. Árvores ramalham. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lãmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: leitor e autor. 

Augusto Meyer, in 'À Sombra da Estante'

quinta-feira, 25 de abril de 2013

  1.  
    Que falta nesta cidade? ... Verdade.
    Que mais por sua desonra?... Honra.
    Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

    O demo a viver se exponha,
    Por mais que a fama a exalta,
    Numa cidade onde falta
    Verdade, honra, vergonha.

    Quem a pôs neste socrócio? ... Negócio.
    Quem causa tal perdição? ... Ambição.
    E o maior desta loucura? ... Usura.

    Notável desaventura
    De um povo néscio e sandeu,
    Que não sabe que o perdeu
    Negócio, ambição, usura.

    Epílogos - Gregório de Matos - Seculo XVII
     

sexta-feira, 15 de março de 2013

UM MURO NÃO DEIXA AS ÁGUAS ESCOAREM
RUA IBIJAÚ EM 08/03/2013, TEM TAMBÉM: 2010 E 2011

http://www.youtube.com/watch?v=LndRhKRBUak

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013






































“Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do Solar” – (Caetano Veloso em “Panis et Circenses”)

Nosso próximo convidado é o jornalista e escritor Toninho Vaz, no dia 9 de março, às 15h, ele estará no Espaço Plínio Marcos em uma tarde de bate papo, autógrafos e leituras do livro “Solar da Fossa - Um território de liberdade, impertinências, ideias e ousadias”. O Toninho já participou duas vezes do projeto O Autor na Praça, autografando "O Bandido que sabia Latim - A Biografia de Paulo Leminski" e "Pra mim Chega - a Biografia de Torquato Neto". Contaremos com a participação especial, do músico, escritor e jornalista Gutemberg Guarabyra, que foi um dos moradores do “Solar”, na ocasião também vamos celebrar o Dia Internacional da Mulher com a participação musical de Nanda Maya. O cartunista Junior Lopes participa do evento, realizando caricaturas. Mais informações abaixo.

Sobre “Solar da Fossa”“Era um lugar único e seminal que desenhou coisas ainda vigentes e não devidamente decodificadas: livros, textos, obras, ideias, posições. Não tenho medo de afirmar que as bases estratégicas do Rio contemporâneo, em termos culturais e comportamentais, foram criadas no Solar da Fossa”. (Guilherme Vaz).

Um casarão colonial em Botafogo, de dois andares e 85 quartos, que mudou para sempre os rumos da cultura carioca e, por que não? Brasileira. foi o endereço e o abrigo de poetas, compositores, atores, jornalistas, artistas plásticos – loucos, cabeludos e “desbundados” que vinham de todos os cantos do país e encontravam ali o jardim ideal para plantar suas “folhas de sonho” e materializar verdadeiras obras de arte. O local, que hoje é ocupado por um dos maiores shopping centers da cidade, foi a sede de um verdadeiro caldeirão cultural e o cenário de inúmeras histórias engraçadas, românticas e muito polêmicas.

De 1964 a 1971, passaram pelo Solar da Fossa alguns dos principais nomes da música popular, teatro, cinema, televisão, imprensa, política e comportamento. Entre os inquilinos que viriam se tornar famosos estão Caetano Veloso, Gal Costa, Paulo Coelho, Paulinho da Viola, Paulo Leminski, Tim Maia, Maria Gladys, Betty Faria, Ítala Nandi, Antônio Pitanga, Marieta Severo, Zé Kéti, Gutemberg Guarabyra, Abel Silva, Cláudio Marzo, Mauro Mendonça, Naná Vasconcelos, Adelzon Alves e Darlene Glória, a maioria na faixa de 23 ou 24 anos. “Se havia um terremoto cultural e político acontecendo na cidade maravilhosa, o Solar era o epicentro”, define o autor. Além de aberto e acessível à cidade que o cercava – na verdade, o Rio ia ao Solar para conhecer seus sedutores rapazes e moças, trocar ideias, aprender com eles, beber algumas, praticar certos esportes ilegais ou, o que era comum, namorá-los. O nome “fossa” foi aplicado ao Solar em 1967 pelo cenógrafo e carnavalesco salgueirense Fernando Pamplona, quando, arrasado, foi morar lá por ter se separado da mulher.

No Solar foram compostas mais de 15 canções, como “Paisagem útil”, “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso; “Sinal Fechado” de Paulinho da Viola; e Paulo Leminski escreveu longas partes de seu romance Catatau. Grupos como o trio Sá-Rodrix-Guarabyra e o Momento 4 se formaram no Solar. Três das primeiras grandes estrelas a posar nuas para uma revista masculina moravam lá: Betty Faria, Ítala Nandi e Tania Scher. Por causa do diretor Kléber Santos, o Solar era quase uma extensão do Teatro Jovem, em Botafogo, onde se gestava a renovação do teatro brasileiro, e do Casa Grande, onde o momento político e cultural era dissecado pelos grandes nomes.

Os moradores do Solar tinham roupa lavada e passada, lençóis, colchas e toalhas trocadas e o chão varrido ou encerado semanalmente, tudo incluído no aluguel. Se quisessem, podiam fazer as refeições lá mesmo, pagando um pouco a mais. Em 1972, o Solar foi demolido para, em 1980, dar lugar ao primeiro shopping center da cidade: o Rio Sul. “Não é difícil imaginar que a destruição de um patrimônio desta natureza (comparável ao Paço Imperial) seria difícil nos dias de hoje, com a imprensa receptiva às denúncias contra crimes ao patrimônio”, arrisca Toninho. Ironia do destino: a imagem do casarão está gravada para sempre no filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, de 1967, na sequência aérea do helicóptero que passa por dentro do Túnel Novo.

Para melhor entender e apreciar o fenômeno da contracultura brasileira, o “Solar da Fossa” deveria ir para a lâmina do microscópio. Essa tarefa foi brilhantemente cumprida pelo autor, Toninho Vaz, escritor e jornalista, no livro “Solar da Fossa - Um território de liberdade, impertinências, ideias e ousadias” (Editora Casa da Palavra). Toninho, ele próprio uma das figuras que contribuíram para a consolidação da imagem do Solar como símbolo da vanguarda e da efervescência cultural e política dos anos 1960. Para a pesquisa do livro, foram entrevistadas 100 pessoas. “Até o último minuto para fechar o livro, eu continuava achando ex-moradores do Solar, todos com ótimas lembranças daquela época”, explica Toninho, que conseguiu entrevistas o ex-ministro Cristovam Buarque e o atual ministro Moreira Franco, ambos ex-moradores do Solar. O texto de apresentação foi escrito pelo autor e jornalista Ruy Castro, que morou no Solar aos 19 anos, em dezembro de 1967. Segundo ele, o casarão colonial de dois andares “serviu de incubadora de talentos, ideias e ousadias e mudou para sempre os rumos da cultura brasileira”. O “Solar da Fossa” conta uma linda história de liberdade criativa em uma época de ditadura truculenta.

Sobre o autor - Toninho Vaz nasceu em Curitiba, em 1947. Trabalhou como jornalista no Diário do Paraná, Diário da Tarde, TV Bandeirantes e SBT. Na Rede Globo, atuou como editor por mais de 14 anos. Publicou artigos e reportagens no Jornal do Brasil, O Globo, revista Manchete, ISTOÉ e site NoMínimo.com. É autor das biografias dos poetas Paulo Leminski e Torquato Neto, além do livro ”O Rei do Cinema”, sobre Luiz Severiano Ribeiro.

Sobre Nanda Maya - É Paulista de São Bernardo do Campo, iniciou sua jornada artística há 10 anos, apresentando–se em casas noturnas de São Paulo. Trabalha atualmente na definição de repertório para produção de seu primeiro CD e atua no Projeto Infantil Cantando com as Crianças. Músicas que fazem parte de seu repertório: “Sincera” (Renato Inácio), “Terceiro Copo” (Renato Inácio) e “Olhos Da Alma” (Dandy Poeta Cantador).

Serviço:
O Autor na Praça - Toninho Vaz em uma tarde de bate papo e autógrafos do livro “Solar da Fossa
Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito CalixtoPinheiros
Dia 09 de março, sábado, a partir das 15h.
Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 95030 5577 - oanp@uol.com.br.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

E aqueles...

 
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nabil na Praça

 
Apresenta
 
Tarde de autógrafos do livro “Intervenções Urbanas na Recuperação de Centros Históricos”


No próximo sábado, dia 29 de setembro, o convidado do projeto O Autor na Praça é o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, ele está lançando o livro Intervenções Urbanas na recuperação de centros históricos pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio e Histórico Artístico Nacional. Mais informações abaixo.

O livro faz parte da Coleção Arquitetura e trata das questões, desafios, limites e as soluções possíveis para a gestão do território das cidades brasileiras. A obra oferece um balanço das ações do Projeto Editorial do Programa Monumenta/IPHAN que, desde 2006, já editou 66 títulos. A coleção tem 11 linhas editoriais relacionadas às atividades de registro e valorização do patrimônio material e imaterial, bem como a projetos de restauração e recuperação de centros históricos e de geração de emprego e renda, principais objetivos do Programa Monumenta.

Intervenções Urbanas na recuperação de centros históricos é resultado de seis anos de pesquisa e análises que o autor desenvolveu sobre as intervenções urbanas realizadas pelo Programa Monumenta em 26 cidades históricas em 16 estados brasileiros. Além de uma reflexão sobre a morfologia dos núcleos históricos e das políticas voltadas para sua reabilitação, analisa intervenções realizadas em praças, orlas marítimas e fluviais, mercados, parques, imóveis arruinados transformados em campi universitários, casario privado e habitação social.

Sobre o autor - Nabil Georges Bonduki é arquiteto e urbanista, formado pela USP - Universidade de São Paulo (1978), mestrado (1987) e doutorado (1995) em Estruturas Ambientais Urbanas e Livre-Docente em 2011. Atualmente é docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Tem experiência na área de Habitação, Planejamento Urbano e Regional, História Urbana e Meio Ambiente, atuando principalmente nos seguintes temas: política habitacional, política urbana, movimentos sociais, condições de moradia, urbanismo, história urbana e meio ambiente. Tem 10 livros publicados, entre os quais Origens da Habitação Social no Brasil (Estação Liberdade, 1998), atualmente na 4ª edição e centenas de artigos publicados em livros, periódicos e veículos de comunicação social. Foi Superintendente de Habitação Popular do município de São Paulo (1989-92), tendo coordenado o Programa de Habitação de Interesse Social do município e vereador do município de São Paulo (2001-4), quando coordenou a elaboração do substitutivo do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo e os Planos Regionais das 31 subprefeituras do município. Prestou consultoria para inúmeros municípios na elaboração de planos diretores e de habitação, como Franca, Ipatinga, Taboão da Serra, Nova Iguaçu, São Paulo, Salvador, além do Distrito Federal. Atuou na coordenação da consultoria para a elaboração do Plano Nacional de Habitação. Nabil também atuou como Secretario de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. Nabil no FB www.facebook.com/nabil.bonduki.

O Autor na PraçaTarde de autógrafos com o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki
Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito CalixtoPinheiros
Dia 29 de setembro, sábado, a partir das 14h. (evento em espaço aberto ao público).
Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 7105 0551 - oanp@uol.com.br.
Realização: Edson Lima & AAPBC.

terça-feira, 31 de julho de 2012

artistas da rua, se a otoridade chegar, saque o decreto


DECRETO Nº 52.504, DE 19 DE JULHO DE 2011


DISCIPLINA A UTILIZAÇÃO DE VIAS E LOGRADOUROS PÚBLICOS DA CIDADE DE SÃO PAULO PARA A APRESENTAÇÃO DE ARTISTAS DE RUA.


GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, CONSIDERANDO a necessidade de definição de regras e critérios objetivos pelo Poder Público Municipal, visando preservar a livre expressão das atividades e manifestações artísticas e culturais nas vias e logradouros públicos da Cidade de São Paulo, bem como assegurar o bem-estar da população, DECRETA:

Art. 1º
Fica permitida aos artistas, em caráter experimental, na forma regulamentada por este decreto, a apresentação gratuita de seu trabalho em vias, parques e praças públicas, observado o disposto na Constituição Federal, sendo vedada qualquer forma de comercialização em tais apresentações.

Art. 2º
As manifestações artísticas permitidas por este decreto são as seguintes:

I - música executada individualmente ou em grupo, ao vivo, com ou sem auxílio de instrumentos musicais;

II - dança executada individualmente ou em grupo;

III - malabarismo ou outra atividade circense;

IV - teatro;

V - poesia e literatura apresentadas de forma declamada ou em exposição física das obras.

Parágrafo Único - Em todas as atividades e apresentações artísticas e culturais previstas nos incisos I a V do "caput" deste artigo deverão ser obedecidos os parâmetros de incomodidade e os níveis máximos de ruído estabelecidos para cada zona da Cidade pela Lei nº 13.885, de 25 de agosto de 2004, especialmente nos casos em que sejam utilizados instrumentos musicais ou aparelhos de som.

Art. 3º
Os artistas deverão permanecer de forma transitória nas vias, parques e praças públicas, vedada qualquer forma de reserva de espaço para uso exclusivo, devendo tal utilização limitar-se exclusivamente ao período de execução da manifestação artística.

Art. 4º
As atividades que necessitem de montagem de estrutura para sua execução somente poderão ser realizadas em parques e praças públicas, desde que respeitado o livre trânsito de pessoas e a integridade das áreas verdes e demais instalações do logradouro, com observância das seguintes regras:

I - os pisos elevados de madeira, estrutura metálica ou de qualquer outro material deverão ter área máxima de 6m² (seis metros quadrados) e altura de até 50cm (cinquenta centímetros), podendo ser instalados mediante prévia comunicação à SVMA ou à Subprefeitura competente, conforme o caso, desde que:

a) sejam utilizadas estruturas de montagem manual e facilmente removíveis, que deverão ser retiradas pelo artista imediatamente após o término da apresentação; b) não possuam nenhum tipo de estrutura vertical além do piso;
c) tenham todas as laterais fechadas;

II - qualquer outro tipo de estrutura para realização do evento dependerá de Alvará de Autorização, expedido pela Subprefeitura competente, nos termos da legislação pertinente;

III - atividades que necessitem de utilização de veículos dependerão de prévia concordância da Companhia de Engenharia de Tráfego - CET.

Art. 5º
Além da observância ao disposto nos artigos 2º e 3º deste decreto, as apresentações e manifestações artísticas e culturais realizadas em vias públicas deverão obedecer sempre as seguintes normas:

I - deverá ser mantido o mínimo de 1,20m (um metro e vinte centímetros) de calçada livre e desimpedida para tráfego de pedestres, respeitada a ocupação máxima de 1/3 (um terço) da largura total do passeio;

II - deverão ser respeitados a livre circulação de pedestres e o tráfego de veículos, bem como preservados os bens particulares e de uso comum do povo.

Art. 6º
Ao artista que se apresentar nas vias, parques e praças públicas é permitido aceitar contribuições pecuniárias, desde que feitas de forma voluntária pela população, sem qualquer tipo de imposição.

Art. 7º
No que se refere aos parques municipais, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente editará portaria, estabelecendo normas específicas para sua utilização, considerando as características próprias dessas áreas verdes, bem como a natureza das apresentações artísticas ou culturais.

Art. 8º
O descumprimento ao disposto neste decreto ensejará a suspensão da apresentação, bem como a apreensão dos equipamentos e materiais utilizados.

Art. 9º
A Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras poderá editar portaria contendo normas complementares à execução deste decreto.

Art. 10.
Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 19 de julho de 2011, 458º da fundação de São Paulo.

GILBERTO KASSAB, PREFEITO

RONALDO SOUZA CAMARGO, Secretário Municipal de Coordenação das Subprefeituras

EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO, Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente

GIOVANNI PALERMO, Secretário do Governo Municipal - Substituto

Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 19 de julho de 2011.

DATA DA PUBLICAÇÃO: 20/07/2011

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Teatro da Vertigem – Bom Retiro 958 Metros

























Teatro da Vertigem – Bom Retiro 958 Metros


O Teatro da Vertigem dá, aos lugares que ocupa em seus espetáculos, um significado que interfere na direção, na dramaturgia, na interpretação dos atores e no trabalho dos outros criadores. A junção de todos esses elementos na cena costuma produzir um tipo de teatro de caráter mais experiencial e imersivo.
Em novembro de 2012 o grupo completa 20 anos de uma estrada cheia de montagens controversas e premiadas. A trupe, nascida em 1992 com a estreia de O Paraíso Perdido, na Igreja Santa Ifigênia, centro de São Paulo, iniciou um trabalho que trouxe na sequência O Livro de Jó (1995), Apocalipse 1,11 (1999), BR-3 (2005), História de Amor (Últimos Capítulos) (2007), A Última Palavra é a Penúltima (2008), Dido e Enéas (Ópera – 2008) e Kastelo (2010). O Tetro da Vertigem conta com o patrocínio da Petrobras desde 2006, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal.
Na continuidade desse pensamento investigativo, o grupo se debruça agora, em 2012, sobre as questões de um bairro marcado pelo multiculturalismo. Desde 2010 o grupo vem realizando seminários, ciclos de palestras e leituras públicas acerca da imigração e das relações de trabalho no bairro Bom Retiro, em São Paulo, caracterizado pelo intenso comércio de produtos têxteis e agora, em 15 de junho de 2012, estreia o espetáculo Bom Retiro 958 metros. A forte presença de diferentes grupos étnicos que caracteriza essa região, associada às tensões sociais ali detectadas, também são aspectos que estimularam a companhia a escolher esse bairro como objeto de sua pesquisa.
Bom Retiro 958 metros reflete o próprio histórico de criações do Vertigem: uma investigação de espaços públicos para a encenação de seus espetáculos, buscando um diálogo concreto com a cidade. Com direção de Antônio Araújo e dramaturgia deJoca Rainers Terron, a peça busca utilizar o espaço urbano como campo de experimentação artística e, para tanto, propõe ao público uma caminhada cênica no bairro paulistano, participando de um trajeto urbano que inclui um centro de lojas, ruas, calçadas, cruzamentos, e um teatro atualmente fora do circuito cultural da cidade. O Instituto Cultural Israelita Brasileiro – ICIB -, entidade mantenedora do teatro, passa atualmente por uma fase de reestruturação interna, mas atuou, ao longo do século XX, fortemente na esfera cultural: organizou palestras e conferências, foi sede de uma biblioteca e de uma escola – a Escola Sholem Aleichem – e marcou as artes cênicas, montando e apresentando peças teatrais.
Sinopse
O Bom Retiro é um lugar no qual predomina o comércio. Contudo, no final do expediente, as portas fecham e o Bom Retiro se torna um bairro fantasma. No limiar entre a noite e o dia, entre o final de um expediente e o início de outro, as ruas são tomadas por personagens assombrados pela História, pela febre do consumo, pela ânsia de transformação e pelo trabalho. Em seu novo espetáculo encenado nesse não lugar, o Teatro da Vertigem propõe revelar o que acontece quando nada acontece e o restante da população dorme.
O bairro Bom Retiro
O Bom Retiro é uma das mais importantes “portas de entrada” de São Paulo, além de ser um polo significativo da multiculturalidade desde início do século XX até hoje. Tomando como ponto de partida tais aspectos, o Teatro da Vertigem pretende materializar cenicamente o diálogo e o confronto entre os diferentes grupos étnicos ali residentes.
Ao ocupar lugares significativos do bairro, marcados tanto por aspectos históricos quanto pela importância econômico-social, o Teatro da Vertigem pretende trazer à tona camadas ocultas ou negligenciadas, provocando a experiência de redescoberta dessa parte da cidade.
O espetáculo, nesse sentido, é uma caminhada cênica pelas ruas do bairro e um mergulho em suas memórias.
O Teatro da Vertigem
O grupo Teatro da Vertigem, criado em 1991 na cidade de São Paulo, desenvolve um trabalho artístico com base em elementos característicos, que vão desde a utilização de espaços não convencionais da cidade, passando pela criação de espetáculos a partir do depoimento pessoal dos seus integrantes e de processo colaborativo entre atores, dramaturgo, encenador E demais criadores, até a pesquisa sobre os processos de interferência na percepção do espectador.
Ficha Técnica
Dramaturgo Joca Reiners Terron
Concepção e Direção Geral Antônio Araújo
Co-direção Eliana Monteiro
Atores
Luciana Schwinden
Mawusi Tulani
Roberto Audio
Raquel Morales
Sofia Boito
Conrado Caputto
Kathia Bissoli
João Attuy
Icaro Rodrigues
Samuel Vieira
Beatriz Macedo
Naiara Soares
Renato Caetano
Elton Santos
Atriz convidada residente Laetitia Augustin-Viguier
Desenho de luz Guilherme Bonfanti
Direção de Arte Carlos Teixeira
Co-direção de arte Amanda Antunes
Figurinos Marcelo Sommer
Imagem Grissel Piguillem
Trilha Sonora original Erico Theobaldo e Miguel Caldas
Produção Executiva Stella Marini
Direção de Produção Teatro da Vertigem e Henrique Mariano
Serviço BOM RETIRO 958 METROS
Estreia 15 de junho de 2012, temporada até 30 de setembro de 2012
Ponto de encontro: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP
Fone para informações 011 3255 2713
Temporada Quinta a sábado às 21h domingo às 19h (a produção recomenda ao público que chegue 15 minutos antes do início para a locomoção até o local do espetáculo)
Ingressos R$ 30,00 inteira – vendidos somente pelo telefone 11 40035588, site www.ticketsforfun.com.br (os ingressos NÃO SERÃO vendidos no local)
Promoção de ingressos Meia para estudantes, aposentados, e 50% de desconto para clientes do cartão Petrobras (na compra de até 2 ingressos)
Lotação 60 lugares Duração 110 min sem intervalo Recomendação 16 anos
Informações IMPORTANTES ao público: O público será recepcionado na Oficina Oswald de Andrade, para, na sequência, ser encaminhado ao local do espetáculo. Recomenda-se aos espectadores ir com sapatos confortáveis e sem bolsa ou sacola, e, em dias de frio, ir agasalhado. O espetáculo será cancelado em dias de chuva.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

PRÉ LANÇAMENTO LIVRO DA LELA QUEIROZ EM SAMPA


LELA QUEIROZ em : corpo, mente, percepção
O livro explora as relações entre os processos do organismo, segundo o BMC, em aproximação com as ciências cognitivas, abordando conceitos como corpo-mente, corpo-ambiente, embodiment e co-emergência. Com o neurodarwinista Gerald Edelman e com a dinamicista Esther Thelen, junto à hipótese evolutiva do BMC, o livro entende movimentos como percepção, geradores do primeiro repertório de padrões neuronais para a auto-organização e sobrevivência do corpo. A partir da concepção de inconsciente cognitivo de Lakoff & Johnson e de corpomídia de Katz & Greiner, o presente estudo propõe movimentos como informação, salientando o papel comunicacional entre sistemas intra e extra corpo, a mostrar porque organismos e ambiente são inseparáveis no fluxo natureza-cultura.
Quando qui, 5 de julho, 7:30pm – 9:30pm GMT-03:00
Onde CASA DAS ROSAS DA AV PAULISTA

sexta-feira, 15 de junho de 2012

É Tradição e o Samba Continua... no Espaço Cachuera!






































Sábado, 16 de junho - 20h
Grupo Paranapanema recebe:
Cássio “Portuga”
Teroca
Toinho Melodia
A Quatro Vozes
Sambaqui (Samba de Bumbo)



Domingo, 17 de junho - 18h
Grupo Paranapanema recebe:
Tião Carvalho
Marcelo Pretto
Seu Benedito e Família
Daniel Reverendo
Grupo Cachuera! (Roda de Jongo)

Projeto É Tradição e o Samba Continua...
Shows de encerramento com o grupo Paranapanema e convidados
O Samba paulista e seus batuquesOnde: Espaço Cachuera! - Rua Monte Alegre, 1.094 - Perdizes - São Paulo
Quando: Dias 16/6 (sábado, 20h) e 17/6/12 (domingo, 18h)
Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia entrada extensiva a estudantes, professores, músicos, atores, dançarinos, aposentados e acima de 60 anos, mediante comprovação)
Mais informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 | cachuera@cachuera.org.br

. A bilheteria abre com uma hora de antecedência
. Não aceitamos cartões de débito/crédito

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Autor na Praça celebra 13 anos e recebe as “Mães de Maio”.

 












O projeto O Autor na Praça começou no dia 1º de Maio de 1999 e teve como primeiro convidado o dramaturgo e escritor Plínio marcos, que se tornou padrinho do projeto e dá nome ao espaço onde acontece (tenda na feira de Artes da Praça Benedito Calixto), naquela ocasião Plínio autografou uma nova edição do livro “Querô – uma repostagem maldita”. Além de comemorar os 13 anos do projeto e do espaço Plínio Marcos, queremos manifestar nosso apoio ao movimento por justiça contra a violência policial oocorrida em maio de 2006, recebendo o Movimento “Mães de Maio”, em tarde de autógrafos do livro “Do Luto à Luta”, leituras e depoimentos. Contaremos também com a participação do Stand Raizarte, que reúne mulheres vendedoras da Revista OCAS e a presença do cartunista Gilmar, que recebeu o prêmio Vladimir Herzog em 2006 com a charge “Matou, Morreu” sobre o confronto entre a Polícia Militar e o PCC. O evento vai acontecer das 15 as 18h no Espaço Plínio Marcos e convidamos a todos para acompanhar a entrega do IV Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos, logo em seguida, as 19h, no auditório da Biblioteca Alceu Amoroso Lima, basta sair da praça e atravessar a Av. Henrique Schaumann.
Os Crimes de Maio de 2006 podem ser definidos como uma matança decorrente da contra-ofensiva da polícia de São Paulo aos ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em maio de 2006. De acordo com a própria Secretaria de Segurança Pública, o PCC foi responsável pela morte de 47 pessoas. No entanto, no período de 12 a 20 de maio, 493 pessoas foram assassinadas por armas de fogo, de acordo com informações do Conselho Regional de Medicina (Cremesp). Ou seja, os demais 446 assassinatos entraram para as estatísticas de crimes não esclarecidos. Há fortes indícios de que as mortes tenham sido praticadas por policiais em represália aos ataques do PCC. Os episódios teriam sido provocados por uma guerra entre bandidos e os agentes do Estado de São Paulo. Os policiais estavam sob o comando do então secretário de Segurança Pública, Saulo Abreu de Castro, que ordenou para todos os policiais saírem “à caça dos suspeitos”. Parentes das vítimas desses crimes iniciaram uma luta por justiça e para que esses crimes não caíssem no esquecimento. Nasceu assim o movimento Mães de Maio
Mães de Maio - É uma rede de Mães, Familiares e Amigos de vítimas da violência do Estado Brasileiro (principalmente da Polícia), formado aqui no estado de São Paulo a partir dos famigerados Crimes de Maio de 2006. Foi a partir da Dor e do Luto gerado pela perda de nossos filhos, familiares e amigos que nos encontramos, nos reunimos e passamos a caminhar juntas. “Nossa missão é lutar pela Verdade, pela Memória e por Justiça para todas as vítimas da violência contra a população Pobre, Negra, Indígena e contra os Movimentos Sociais brasileiros, de Ontem e de Hoje. Verdade e Justiça não apenas para os mortos e desaparecidos dos Crimes de Maio de 2006 ou dos Crimes de Abril de 2010, mas para todas as vítimas do massacre contínuo que o estado pratica historicamente no país. Nosso objetivo maior é construir, na Prática e na Luta, uma sociedade
O Autor na Praça celebra 13 anos e recebe as “Mães de Maio”.
Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito CalixtoPinheiros
Dia 19 de maio, sábado, a partir das 15h. (evento em espaço aberto ao público).
Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 7105 0551 - oanp@uol.com.br
Realização: Edson Lima & AAPBC. Apoio: AEUSP, Grupo Tortura Nunca Mais, Consulado Mineiro e O Cantinho Português.
realmente Justa e Livre.” (www.maesdemaio.blogspot.com.br).

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ignácio de Loyola Brandão

As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros
Quando cheguei a esta rua, João Moura, havia em frente do meu prédio uma vilazinha e nela uma fonte de água cristalina. Dizia-me seu Chico, com seus 80 anos, que a fonte existia desde que ele chegara, na altura dos anos 1930. E que muita gente ia buscar água fresca para encher talhas, potes e moringas.
Chico, meu vizinho, tinha um quintal que ia até quase a Rua Cristiano Viana. Nele coexistiam jabuticabeiras, bananeiras, pássaros, patos, galinhas. As jabuticabas, imensas, eram docíssimas.
Cada vez que o pé carregava e os galhos pretejavam de frutos, Chico me trazia uma vasilha cheia. Havia um tanto de interior, um tanto de bucolismo, outro de quietude, comunidade.
Chico se foi, mas sua casa, seu terreno ainda estão ali e cada um de nós prende a respiração, no temor de que vendam algum dia e tudo vá para o chão.
O galo garnizé que a vizinhança ouve habita esse terreno. Vez ou outra, acontece uma baladinha noturna, com violão e danças, há pessoas guardando a casa. Um citadino dia desses começou a espicaçar a galinha que tinha acabado de ter pintinhos.
Provocava e provocava a pobre ave que tentava proteger os filhotes e investia com o bico. Então, um dos convidados gritou:
- Pare com isso, por favor! Não perturbe! Não vê que a galinha ainda está amamentando?
Quando cheguei à rua, anos 90, do meu apartamento no 13.º andar minha vista alcançava o horizonte e eu podia ver as luzes do Morumbi, em noites de jogo. Ao fazer uma panorâmica, contemplava o verde por toda a parte.
Abaixo de mim podia contemplar os sobrados tão característicos de Pinheiros e Vila Madalena, cada um com seu quintal, suas árvores. Podia ver laranjeiras. Mangueiras e jabuticabeiras, flores.
Assim vinha sendo nossa vidinha com jeito provinciano, aqui em Pinheiros, dentro de São Paulo. Basta atravessar uma rua e estamos nos Jardins. Mas em geral ficamos no que chamamos o outro lado da Rebouças, o nosso.
Tão bom que as casas de decoração estão ocupando espaços, são várias e dá gosto olhar as vitrines. Uma delas, a do Teo, inclusive, reformou uma área imensa em frente da nova churrascaria Bovinu's, que, após quase um ano, abriu suas portas.
Nessa onda, na Rua Artur de Azevedo, a filha do Viana mudou o rumo dos negócios que eram do pai (materiais de construção) e agora o espaço se chama Vianarte, com objetos coloridos.
Jovens saem do cursinho e da faculdade (tudo aqui na rua) e lotam o bar do Pinguim e o novo boteco Leyseca na esquina da Artur de Azevedo. Há um tom alegre nos fins de tarde, ruidoso, agitado. Na CPL motoqueiros fazem point aos sábados.
Aqui temos nossos bares, nossos restaurantinhos, o Genova, o Buttina, o bistrô Vianna, o Wolf, nossos self-services, a padaria, o sapateiro, a quitanda, a farmácia, o supermercadinho, a acupuntura.
Os prédios existentes conviviam em harmonia com os sobrados, as lojas, com tudo, todos se ajeitando, se acomodando, amigavelmente. Uns prédios maiores, outros pequenos, de quatro, cinco andares.
Então, começaram a chegar. Ah, começaram! Em frente de casa subiram duas torres enormes, minha vista se foi, a fontezinha desapareceu no concreto. Sim, um dia reapareceu dentro da garagem de nosso prédio. Quem segura água?
A vilinha que havia desapareceu. Foi o primeiro aviso. O segundo foi na Rua Artur de Azevedo, quando um grupo de casinhas foi abaixo, entre elas a original videolocadora S'Different, um barzinho de happy hour e duas ou três residências.
As "bombas" caíam cada vez mais perto. Então, a notícia se espalhou: tudo viria abaixo na esquina da João Moura com a Teodoro Sampaio. Até a belíssima casa branca que ficava no alto de uma colina.
Histórica? Não sabíamos. Mas era linda, de uma São Paulo senhorial, elegante. Todos tremeram quando a proprietária, velhinha, morreu. Dali saiu seu funeral por determinação expressa. Ficamos todos na corda bamba.
Súbito, na calada da noite, porque eles não têm coragem, fazem na calada da noite, a casa desapareceu. Foi ao chão, como se tivesse passado um tsunami. A arte de demolir num instante tem seu auge em São Paulo.
A morte da casa branca da colina verde doeu em todos nós. Ali, dizem, vai ser um shopping. Na Artur, um grande complexo. A culpa é de quem, gente? Das construtoras? Não, elas querem construir. A culpa é de leis que cedem ante o poder do dinheiro sem medir consequências para a comunidade, o trânsito, a rede de águas e esgotos, e tudo que está implicado.
E as árvores do jardim? Vão para o chão? (Aliás, ali na esquina da Brasil com a Colômbia, a Kia não derrubou a imensa árvore, frondosa, para construir uma concessionária?) E como fazer, se ao lado da ex-casa branca da João Moura há um posto de gasolina? Terreno contaminado. Não existe um prazo de alguns anos para limpar tudo? Vão cumprir? Vão nada.
Junto da escola, outro edifício está subindo. Sobem, sobem, vão subir, e o bairro vai sendo desfigurado. Aliás, toda esta cidade foi, está sendo e será. Não existem planos diretores, nem políticos que se interessem por esta pobre São Paulo.
Assinei, vou participar, estou com o Movimento Contra a Verticalização. Não somos contra o progresso, somos contra as injúrias, a agressão à qualidade de nossas vidas, a entrega de tudo à especulação.
Vivi quase 20 anos nesta comunidade, faço parte dela, nos conhecemos todos, temos nossos hábitos e idiossincrasias, alegrias. Agora, temos medo, muito medo de que talvez tenhamos de procurar outro lugar para viver.
Eros Grau, que foi ministro do Supremo, é poeta, romancista, com expressiva bibliografia jurídica e membro da Academia Paulista de Letras, em seu mais recente livro, Paris, Quartier Saint-Germain, ao testemunhar a ação do "modernismo" que vem devastando edifícios, livrarias, pontos tradicionais em Paris, indaga:
"...E os seres humanos que davam vida a todas essas coisas? Onde está, para onde foi toda essa gente que integrava meu universo afetivo? Que diabo de método de produção social desagradável, sempre assumindo formas novas, engolindo o passado e os que faziam parte dele! Eles não percebem - os sujeitos da transformação econômica - que agridem bruscamente a nossa intimidade afetiva quando renovam o quartier e o mundo?"