quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ainda o Pinheirinho. Decisão judicial não se discute, cumpre-se?

Os fatos são conhecidos: uma decisão judicial de reintegração de posse sobre uma favela. A ocupação começou em 2004, por pessoas necessitadas de moradia.

Segundo a Folha, a proprietária obteve reintegração liminar em 2004. Durante um imbróglio processual, os ocupantes permaneceram. Em 2011, uma nova decisão ordena a reintegração. Foi essa a ordem que o Poder Executivo cumpriu no dia 22 de janeiro, com aparato policial, caminhões e máquinas pesadas.

A ordem era, porém, inexequível, pois, em sete anos, a situação concreta do imóvel e sua qualificação jurídica mudaram radicalmente.

O que era um imóvel rural se tornou um bairro urbano. Foi estabelecida uma favela com vida estável, no seu desconforto. Dir-se-á que a execução da medida mostra que a ordem era exequível. Na verdade, não houve mortes porque ali estava uma população pacífica, pobre e indefesa.

Ninguém duvida da exequibilidade física da ordem judicial, pois todos sabem que soldados e tratores têm força física suficiente para "limpar" qualquer terreno.

O grande e imperdoável erro do Judiciário e do Executivo foi prestigiar um direito menor do que aqueles que foram atropelados no cumprimento da ordem.

Os direitos dos credores da massa falida proprietária são meros direitos patrimoniais. Eles têm fundamento em uma lei também menor, uma lei ordinária, cuja aplicação não pode contrariar preceitos expressos na Constituição.

O principal deles está inscrito logo no art. 1º, III, que indica a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República. Esse valor permeia toda a ordem jurídica e obriga a todos os cidadãos, inclusive os chefes de Poderes.

As imagens mostram a agressão violenta à dignidade daquelas pessoas. Outro princípio constitucional foi afrontado: o da função social da propriedade. É verdade que a Constituição garante o direito de propriedade. Mas toda vez que o faz, estabelece a restrição: a propriedade deve cumprir sua função social.

Pois bem, a área em questão ficou ociosa por 14 anos, sem cumprir função social alguma. O princípio constitucional da função social da propriedade também obriga não só aos particulares, mas também a todos os Poderes e os seus dirigentes.

O próprio Tribunal de Justiça de São Paulo já consagrou esse princípio inúmeras vezes, inclusive em caso semelhante, em uma tentativa de recuperação da posse de uma favela. O tribunal considerou que a retomada física do imóvel favelado é inviável, pois implica uma operação cirúrgica, sem anestesia, incompatível com a natureza da ordem jurídica, que é inseparável da ordem social. Por isso, impediu a retomada. O proprietário não teve êxito no STJ (recurso especial 75.659-SP).

Tudo isso é dito porque o cidadão comum e o estudante de direito precisam saber que o direito brasileiro não é monolítico. Não é só isso que esse lamentável episódio mostrou. Julgamento e execução foram contrários ao rumo da legislação, dos julgados e da ciência do direito.

Será verdade que uma decisão tem de ser cumprida sempre? Só é verdade para os casos corriqueiros. Não para os casos gravíssimos que vão atingir diretamente muitas pessoas indefesas.

Estranha-se que o governador tenha usado o conhecido chavão segundo o qual decisão judicial não se discute, cumpre-se. Mesmo em casos menos graves, os chefes de Executivo estão habituados a descumprir decisões judiciais. Nas questões dos precatórios, por exemplo, são milhares de decisões judiciais definitivas não cumpridas.
 José Osório de Azevedo Jr., desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e professor de direito civil desde 197, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 09-02-2012.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O IMPORTANTE É SER FEVEREIRO.....E TER ....CARNAVAL........


“BANDA REDONDA” – 38 anos de folia e alegria no carnaval em São Paulo


O grande dramaturgo Plínio Marcos recebe o Troféu Banda Redonda
das mãos de Carlão, o General da Banda de SP – Foto: Arquivo da Banda

A banda mais antiga e tradicional da cidade faz a abertura da semana carnavalesca em São Paulo. Fundada por atores do Teatro de Arena, jornalistas, músicos e outros artistas que frequentavam o Bar e Restaurante Redondo, a Banda Redonda pede passagem, coloca os foliões e sambistas nas ruas. No dia 13 de fevereiro, começa a se arrumar ou se desarrumar em frente ao TEATRO DE ARENA - Eugênio Kusnet, na  Rua Theodoro Baima, 94, esquinas da Rua da Consolação com Av. Ipiranga. A concentração será 19h e a saída do desfile 21h. Durante a concentração haverá o aquecimento com o Carlão, General da Banda de SP e a entrega do “Troféu Banda Redonda”, para personalidades que fazem a diferença na cultura, artes e no esporte, este ano são: Carlos Cortez, Helena Ignez, Inezita Barroso, Osmar Santos, Paulo Vanzolini, e Silvia Vinhas. Também vamos manifestar o apoio a campanha “Gorduchinha 2014” para o nome oficial da bola na copa do mundo em 2014, veja aqui o vídeo da campanha. O cineasta Júlio Calasso vai cobrir e registrar o evento com duas câmeras, captando imagens para o documentário de longa metragem que está realizando sobre Plínio Marcos. Mais informações sobre a Banda e os homenageados abaixo.

“Nossa gente é essa aí: jornalistas, boêmios, artistas de teatro, cinema, televisão sambistas, pintores, gente da noite, do dia, da madrugada e de todas as horas, enfim, gente que cultua a nossa cultura popular”.

Vários artistas e convidados especiais sempre participam da concentração da Banda, entre eles, os atores de teatro, cinema e TV: Analy Alvarez, Antonio Petrin, Cris Fontana, Gésio Amadeu, Graça Berman, Humberto Magnani, João Acaiabe, Luiz Serra, Paulo Hesse, Regina Braga, Tadeu Di Pietro. Também marcam presença: César Vieira (dramaturgo e diretor de teatro), Chico de Assis (dramaturgo, ator e professor de dramaturgia), Castor Fernandez (Fotógrafo e amigo do Plínio). Chico Pinheiro, (jornalista - TV Globo), Emilio Fontana (diretor e professor de teatro, cinema e TV), Oswaldo Mendes (jornalista, ator, diretor de teatro e escritor), Raimundo José (cantor e músico). Para completar a alegria na concentração, contaremos com a presença da Corte do Carnaval Paulistano.

Todos os anos a Banda homenageia personalidades destacadas no meio cultural, artístico e esportivo, já receberam o troféu Banda Redonda: Alaíde Costa, Analy Alvarez, Ari Toledo, Caio Luiz de Carvalho, Chico de Assis, Chico Pinheiro, Denis Derkian, Doutor Sócrates, Dr. Davi Serson, Dráuzio Varella, Emilio Fontana, Esther Góes, Etty Frazer, Ivan Giannini, João Acaiabe, João Batista de Andrade, Ligia Cortez, Maria Alcina, Netinho de Paula, Oswaldo Mendes, Paulo Goulart, Regina Braga, Renato Borghi, Renato Consorte, Sérgio Mamberti, Tadeu di Pietro, Walderez de Barros, Bárbara Bruno, Dr. Demetrio Hossne, Dr. Paulo Meneghini , José Renato Pécora, Lauro César Muniz, Regina Echeverria entre outros.

Homenageados que irão receber Troféu Banda Redonda em 2012: Carlos Cortez - cineasta e diretor de "Geraldo, o Filme” e "Querô”; Helena Ignez - atriz e diretora de cinema e teatro; Inezita Barroso - a Rainha do Folclore Brasileiro; Osmar Santos – Locutor Esportivo e pintor, e o “Pai da Matéria” e da “Gorduchinha”; Paulo Vanzolini - genial compositor paulistano e Silvia Vinhas - jornalista e apresentadora de TV. Informações sobre os homenageados ao final deste release.

Para animar os foliões a banda conta com um belo time de intérpretes: Aldo Bueno, Douglas Franco, Germano Mathias, Jandir, João Borba, João Pedro, Maria Alcina, Mazinho do Salgueiro, Silvio Modesto e Tereza Miguel, que serão acompanhados pela Banda Musical do FUMAÇA com mais de 30 integrantes, apresentando tradicionais marchinhas e sambas do carnaval brasileiro. A apresentação fica por conta de Moisés da Rocha  (O Samba  pede Passagem).

Saiba mais sobre a Banda e os homenageados aqui. Outras informações e fotos: www.oautornapraca.com.br/bandaredonda. Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=bzy3sjZhcPk

Banda Redonda – 38 anos de alegria no carnaval paulistano
Concentração em frente ao Teatro de Arena Eugênio Kusnet – Rua Teodoro Baima, 94 – Consolação.
Dia 13 de fevereiro, segunda-feira, concentração 19h / saída 21h – Grátis.
Informações: Imprensa: Edson Lima: 3739 0208 / Teatro de Arena: 3256 9463 / China: 7705 0622
Roteiro: Ruas Theodoro Baima, da Consolação, Xavier de Toledo, Teatro Municipal, Rua Cons. Crispiniano, Largo do Paissandu, Av. São João, Av. Ipiranga, Praça da República, regressando ao Teatro de Arena, encerrando o desfile com músicas do verdadeiro carnaval de rua.

Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco “Banda Redonda”
Presidente: Carlão – O General da Banda de SP / Organização: China - Tel. (11) 7705 0622
Ass. Comunicação e Imprensa: Edson Lima – Fone: (11) 9586 5577 / 3739 0208.

Patrocínio: Prefeitura da cidade de São Paulo / SPTURIS - São Paulo Turismo, ABASP – Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo e AMBEV. Apoio: O Autor na Praça.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Terror imobiliário ou a expulsão dos pobres do centro de São Paulo


CIDADES BRASILEIRAS
CARTA MAIOR

Terror imobiliário ou a expulsão dos pobres do centro de São Paulo

O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro de São Paulo. Isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.

Dificilmente, durante nossa curta existência, assistiremos disputa mais explícita que esta, que opõe prefeitura e Câmara Municipal de São Paulo (além do governo estadual), que representam os interesses do mercado imobiliário, contra os moradores e usuários pobres, pelo acesso ao centro antigo de São Paulo. Trata-se do único lugar na cidade onde os interesses de todas as partes (mercado imobiliário, prefeitura, Câmara Municipal, comerciantes locais, movimentos de luta por moradia, moradores de cortiços, moradores de favelas, recicladores, ambulantes, moradores de rua, dependentes químicos, e outros) estão muito claros, e os pobres não estão aceitando passivamente a expulsão.


No restante da cidade, como em todas as metrópoles brasileiras, um furacão imobiliário revoluciona bairros residenciais e até mesmo as periferias distantes, empurrando os pobres para além dos antigos limites, insuflado pelos recursos do Minha Casa Minha Vida no contexto de total falta de regulação fundiária/imobiliária ou, em outras palavras, de planejamento urbano por parte dos municípios. A especulação corre solta, auxiliada por políticas públicas que identificam valorização imobiliária como progresso.


Ao contrário do silêncio (ou protestos pontuais) que acompanha essa escandalosa especulação que, a partir de 2010, levou à multiplicação dos preços dos imóveis, em todo o país, no centro de São Paulo, foi deflagrada uma guerra de classes.


Não faltaram planos para recuperar o centro tradicional de São Paulo. Desde a gestão do prefeito Faria Lima, vários governos defenderam a promoção de moradia pública na região. Governos tucanos apostaram em estratégias de distinção local por meio de investimento na cultura (como demonstraram muitos trabalhos acadêmicos) Vários museus, salas de espetáculo, centros culturais, edifícios históricos, foram criados ou renovados. No entanto, o mercado imobiliário nunca respondeu ao convite dos diversos governos, de investir na região, seja para um mercado diferenciado, seja para habitação social como pretenderam os governos Erundina e Marta.


Outras localizações (engendradas pelas parcerias estado/capital privado, como demonstrou Mariana Fix) foram mais bem sucedidas como foi o caso da região Berrini/Águas Espraiadas. Outro fator que inibiu a entrada mais decisiva dos empreendedores no centro foi a reduzida dimensão dos terrenos. O mercado imobiliário busca terrenos amplos que permitam a construção de uma ou de várias torres- clube, padrão praticamente generalizado atualmente no Brasil.


Finalmente, há os pobres - com toda a diversidade já exposta - cuja proximidade desvaloriza imóveis novos ou reformados, coerentemente com os valores de uma sociedade que além de patrimonialista (e por isso mesmo) está entre as mais desiguais do mundo. Aceita-se que os pobres ocupem até áreas de proteção ambiental: as Áreas de Proteção dos Mananciais (são quase 2 milhões de habitantes apenas no sul da metrópole), as encostas do Parque Estadual da Serra do Mar, as favelas em áreas de risco, mas não se aceita que ocupem áreas valorizadas pelo mercado, como revela a atual disputa pelo centro.


Enquanto os planos das várias gestões municipais para o centro não deslancharam (leia-se: não interessaram ao mercado imobiliário), os serviços públicos declinaram (o acúmulo de lixo se tornou regra), num contexto já existente de imóveis vazios e moradia precária. O baixo preço do metro quadrado afastou investidores e, mais recentemente, nos últimos anos... também o poder público. Nessa área assim “liberada” e esquecida pelos poderes públicos, os dependentes químicos também se concentraram. No entanto a vitalidade do comércio na região, que inclui um dos maiores centros de venda de computadores e artigos eletrônicos da América Latina, não permite classificar essa área como abandonada, senão pelo falta de serviços públicos de manutenção urbana e políticas sociais.


Frente a isso, a gestão do prefeito Kassab deu continuidade ao projeto NOVA LUZ, iniciado por seu antecessor, José Serra, e vem se empenhando em retirar os obstáculos que afastam o mercado imobiliário de investir na área. Estão previstos a desapropriação de imóveis em dezenas de quadras e o remembramento dos lotes para constituírem grandes terrenos de modo a viabilizar a entrada do mercado imobiliário.


A retomada de recursos de financiamento habitacional com o MCMV, após praticamente duas décadas de baixa produção, muda completamente esse quadro. Os novos lançamentos do mercado imobiliário passam a cercar a região. Vários bairros vizinhos, como a Barra Funda, apresentam um grande número de galpões vazios em terrenos de dimensões atraentes. A ampliação de outro bairro vizinho, Água Branca, vai se constituir em um bairro novo .


Finalmente, o mercado imobiliário e a prefeitura lançam informalmente a ideia de uma fantástica operação urbana que irá ladear a ferrovia começando no bairro da Lapa e estendendo-se até o Brás. O projeto inclui a construção de vias rebaixadas. Todos ficam felizes: empreiteiras de construção pesada, mercado imobiliário, integrantes do executivo e legislativo (que garantem financiamento para suas campanhas eleitorais) e a classe média que ascendeu ao mercado residencial com os subsídios.


O Projeto Nova Luz parece ser a ponta de lança dessa gigantesca operação urbana.


Mas ainda resta um obstáculo a ser removido: os pobres que se apresentam sobre a forma de moradores dos cortiços, moradores de favelas, dependentes de droga, moradores de rua, vendedores ambulantes... Com eles ali, a taxa de lucro que pode ser obtida na venda de imóveis não compensa.


Algumas ações não deixam dúvida sobre as intenções de quem as promove. Um incêndio, cujas causas são ignoradas, atingiu a Favela do Moinho, situada na região central ao lado da ferrovia. Alguns dias depois, numa ação de emergência, a prefeitura contrata a implosão de um edifício no local sob alegação do risco que ele podia oferecer aos trens que passam ali (enquanto os moradores continuavam sem atendimento, ocupando as calçadas da área incendiada). Em seguida os dependentes químicos são literalmente atacados pela polícia sem qualquer diálogo e sem a oferta de qualquer alternativa. (Esperavam que eles fossem evaporar?). Alguns dias depois vários edifícios onde funcionavam bares, pensões, moradias, são fechados pela prefeitura sob alegação de uso irregular. (O restante da cidade vai receber o mesmo tratamento? Quantos usos ilegais há nessa cidade?).


O centro de São Paulo constitui uma região privilegiada em relação ao resto da cidade. Trata-se do ponto de maior mobilidade da metrópole, com seu entroncamento rodo-metro- ferroviário. A partir dali, pode-se acessar qualquer ponto da cidade o que constitui uma característica ímpar se levarmos em conta a trágica situação dos transportes coletivos. Trata-se ainda do local de maior oferta de emprego na região metropolitana. Nele estão importantes museus e salas de espetáculo, bem como universidades, escolas públicas, equipamentos de saúde, sedes do judiciário, órgãos governamentais.


Apenas para dar uma ideia da expectativa em relação ao futuro da região está prevista ali uma Escola de Dança, na vizinhança da Sala São Paulo, cujo projeto, elaborado por renomados arquitetos suíços – autores do arena esportiva chinesa “Ninho de Pássaro” - custou a módica quantia de R$ 20 milhões de acordo com informações da imprensa. É preciso lembrar ainda que infraestrutura local é completa: iluminação pública, calçamento, pavimentação, água e esgoto, drenagem como poucas localizações na cidade.


Trata-se de um patrimônio social já amortizado por décadas de investimento público e privado. A disputa irá definir quem vai se apropriar desse ativo urbano e com que finalidade. A desvalorização de tal ambiente é um fenômeno estritamente ou intrinsecamente capitalista, como já apontou David Harvey analisando outros processos de “renovação” de centros de cidades americanas.


A luta pela Constituição Federal de 1988 e a regulamentação de seus artigos 182 e 183, que gerou o Estatuto da Cidade, se inspirou, em parte, na possibilidade de utilizar imóveis vazios em centros urbanos antigos para moradia social. Nessas áreas ditas “deterioradas” está a única alternativa dos pobres vivenciarem o “direito à cidade” pois de um modo geral, eles são expulsos para fora da mesma. Executivos e legislativos evitam aplicar leis tão avançadas. O judiciário parece esquecer-se de que o direito à moradia é absoluto em nossa Carta Magna enquanto que o direito à propriedade é relativo, à função social. (Escrevo essas linhas enquanto decisão judicial autorizou o despejo –que se fez de surpresa e de forma violenta- de mais de 1.600 famílias de uma área cujo proprietário – Naji Nahas - deve 15 milhões em IPTU, ao município de São José dos Campos. Antes de mais nada, é preciso ver se ele era mesmo proprietário da terra, já que no Brasil, a fraude registraria de grandes terrenos é mais regra que exceção, e depois verificar se ela estava ou não cumprindo a função social).


É óbvio, que o caso que nos ocupa aqui mostra a falta de compaixão, de solidariedade, de espírito público. Crianças moram em péssimas condições nos cortiços, em cômodos insalubres, dividem banheiros imundos com um grande número de adultos (quando há banheiros). Com os despejos violentos são remetidas para uma condição ainda pior de moradia pelo Estado que , legalmente, deveria responder pela solução do problema. Num mundo com tantas conquistas científicas e tecnológicas, dependentes químicos são tratados com balas de borracha e spray de pimenta para se dispersarem. Um comércio dinâmico, formado por pequenas empresas e ambulantes, que poderia ter apoio para a sua legalização, organização e inovação é visto como atrasado e indesejável. O modelo perseguido é o do shopping center, o monopólio, e não o pequeno e vivo comércio de rua ou o boteco da esquina.


O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro como anunciou o jornal Brasil de Fato. Tudo isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, como diria Althusser, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.

Ermínia Maricato é urbanista.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Centenário de Mário Lago e Carlos Marighella

&

Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima 

 convidam para

o centenário de Mário Lago e Carlos Marighella em dois atos



Mário Lago nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de novembro de 1911, apenas nove dias depois nascia em Salvador Carlos Marighella, a vida destes dois homens não ficaria em comum apenas pela proximidade das datas que vieram ao mundo, seria nas suas lutas e militâncias na política e na arte que a atuação dos dois teria um grande significado na mudança para um Brasil Melhor. No momento que se cria a “Comissão da verdade” no Brasil, nada como celebrar o centenário destes dois homens que dedicaram sua vida e luta pela liberdade de expressão e direitos humanos no Brasil, para lembrar a luta destes dois baluartes de nossa história, vamos realizar duas noites, ou melhor, dois atos, com exibições, leituras, depoimentos e apresentações musicais.

Primeiro Ato - Dia 2 de dezembro de 2011, sexta-feira – centenário de Mario Lago
19h00 – Abertura com exibição de vídeo sobre sua trajetória
20h00 – Apresentação Lítero Musical com músicas do repertório de Mário Lago intercaladas com textos, poesias e depoimentos sobre a vida deste brasileiro e suas mil facetas. Contaremos com a participação do poeta Celso de Alencar,  o coordenador do projeto O Autor na Praça Edson Lima, a cantora Tuca Sellan e sua banda, formada pelos músicos André Lima, Silas Leal e Antonio Furtado, o músico e compositor Léo Dumont, o músico e educador Ronaldo “Magrão” Belotti, o cantador Téo Azevedo que compôs a música “Lago de Poesia” para o programa São Paulo Capital Nordeste, com participação do aniversariante. O artista plástico Junior Lopes mostra uma tela homenageando este grande artista. Representando a família de Mário Lago contaremos com a presença de seu neto Jan Theophilo e sua sobrinha Cecília Cordeiro Negrão.

Segundo Ato - Dia 5 de dezembro, segunda-feira – Centenário de Carlos Marighella
19h00 - Exibição de documentário sobre sua trajetória
20h00 - Depoimentos sobre sua militância e leituras de textos e poesias de seu livro “Rondó da Liberdade”, com a participação do músico e escritor Erton Morais, o agitador cultural e coordenador da AEUSP Adriano Mogli, o coordenador do projeto O Autor na Praça Edson Lima e outros convidados.
21h30 - Apresentação musical com Dinho Nascimento acompanhado de Cecília Pellegrini nos vocais e Gabriel Nascimento na percussão. Dinho vai apresentar dois poemas de Marighella que ele musicou e pretende gravar em breve.

Celebração do centenário de nascimento de Mario Lago e Carlos Marighella
Dias 2 de dezembro (Sexta-feira) e 5 de dezembro (Segunda-feira) das 19h as 22h
Auditório da Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima – Entrada Franca
Av. Henrique Schaumann, 777 - Pinheiros - São Paulo (SP) – Tel. 3082 5023 / 3063 3064
Produção: O Autor na Praça e Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima.
Assessoria de Imprensa: Edson Lima – 9586 5577 – edsonlima@oautornapraca.com.br.
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Município de São Paulo / AEUSP – Associação dos Educadores da USP

Mário Lago - Ator, produtor, diretor, compositor, radialista, escritor, poeta, autor de teatro, cinema, rádio e TV, frasista, militante sindical, ativista político e boêmio, Mário Lago foi muitos. Resumia assim sua história: "Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: ’ah, o meu tempo’. Meu tempo é hoje." Nasceu na histórica Rua do Resende, no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1911, filho único de Antônio Lago, um jovem compositor, maestro e violinista de sucesso, de uma família de músicos; e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, jovem descendente de calabreses, oriunda também de família de músicos. Foi criado no bairro da Lapa, no Rio. Formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. Chegou a trabalhar como jornalista e estatístico, mas por pouco tempo. Desde criança, a arte exerceu absoluto fascínio sobre ele; uma atração igualada apenas pela política, pela boemia e pela família. A todas elas se dedicou com igual empenho e paixão. Falecido em 30 de maio de 2002, Mario Lago foi casado por quase 50 anos com Zeli Cordeiro Lago. O ator deixou cinco filhos (Vanda, Antonio Henrique, Graça, Luiz Carlos – falecido em 2010 – e Mário). Para comemorar o centenário de Mário Lago, a família está organizando eventos, lançamento de CDs, documentário e outras atividades, saiba mais no sítio/portal oficial: www.mariolago.com.br.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão. De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo. O auge da Ditadura Militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política. Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 30 anos -- surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Saiba mais: www.carlos.marighella.nom.br.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vera Paiva na Comissão da Verdade

 
Não fui desconvidada, simplesmente não falei!  A minha volta diziam que a Pres. Dilma tinha que viajar e encurtaram a cerimônia, que alguém tinha falado um tempo a mais. Sai para uma reunião na UNB, ainda emocionada com o carinho que dispensou aos familiares e ex-presos políticos, um a um.

Agora entendo o pedido de desculpas da Ministra Maria do Rosário.
(Abaixo o que seria seu discurso)

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011, 11:00.  Palácio do Planalto, Brasília.

Excelentíssima Sra. Presidenta Dilma, querida ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário. Demais ministros presentes. Senhores representantes do Congresso Nacional, das Forças Armadas. Caríssimos ex-presos políticos e familiares de desaparecidos aqui presentes, tanto tempo nessa luta.

Agradecemos a honra, meu filho João Paiva Avelino e eu, filha e neto de Rubens Paiva, de estarmos aqui presenciando esse momento histórico e, dentre as centenas de famílias de mortos e desaparecidos, de milhares de adolescentes, mulheres e homens presos e torturados durante o regime militar, o privilégio de poder falar.

Ao enfrentar a verdade sobre esse período, ao impedir que violações contra direitos humanos de qualquer espécie permaneçam sob sigilo,  estamos mais perto de enfrentar a herança que ainda assombra a vida cotidiana dos brasileiros. Não falo apenas do cotidiano das famílias marcadas pelo período de exceção. Incontáveis famílias ainda hoje, em 2011,  sofrem em todo o Brasil com prisões arbitrárias, seqüestros, humilhação e a tortura. Sem advogado de defesa, sem fiança. Não é isso que está em todos os jornais e na televisão quase todo dia, denunciando, por exemplo, como se deturpa a retomada da cidadania nos morros do Rio de Janeiro? Inúmeros dados indicam que especialmente  brasileiros mais pobres e mais pretos, ou interpretados como homossexuais, ainda são cotidianamente agredidos sem defesa nas ruas, ou são presos arbitrariamente, sem direito ao respeito, sem garantia de seus direitos mais básicos à não discriminação e a integridade física e moral que a Declaração dos Direitos Humanos consagrou na ONU depois dos horrores do nazismo em 1948.

Isso tudo continua acontecendo, Excelentíssima Presidenta. Continua acontecendo pela ação de pessoas que desrespeitam sua obrigação constitucional e perpetuam ações  herdeiras do estado de exceção que vivemos de modo acirrado de 1964 a 1988.

O respeito aos direitos humanos, o respeito democrático à diferença de opiniões assim como a construção da paz se constrói todo dia e a cada geração! Todos, civis e militares, devemos compromissos com sua sustentação.

Nossa história familiar é uma entre tantas registradas em livros e exposições. Aqui em Brasília a exposição sobre o calvário de Frei Tito pode ser mais uma lição sobre o período que se deve investigar.
Em Março desse ano, na inauguração da exposição sobre meu pai no Congresso Nacional, ressaltei que há exatos  40 anos o tínhamos visto pela última vez. Rubens Paiva que foi um combativo líder estudantil na luta “Pelo Petróleo é Nosso”, depois engenheiro construtor de Brasília, depois deputado eleito pelo povo, cassado e exilado em 1964. Em 1971 era um bem sucedido engenheiro, democrata preocupado com o seu país e pai de 5 filhos. Foi preso em casa quando voltava da praia, feliz por ter jogado vôlei e poder almoçar com sua família em um feriado. Intimado, foi dirigindo seu carro, cujo recibo de entrega dias depois é a única prova de que foi preso.  Minha mãe, dedicada mãe de família, foi presa no dia seguinte, com minha irmã de 15 anos. Ficaram dias no DOI-CODI, um dos cenário de horror naqueles tempos. Revi minha irmã com a alma partida e minha mãe esquálida. De quartel em quartel, gabinete em gabinete passou anos a fio tentando encontrá-lo, ou pelo menos ter noticias. Nenhuma noticia.

Apenas na inauguração da exposição em São Paulo, 40 anos depois, fizemos pela primeira vez um Memorial onde juntamos família e amigos para honrar sua memória. Descobrimos que a data em que cada um de nós decidiu que Rubens Paiva tinha morrido variava muito, meses e anos diferentes…Aceitar que ele tinha sido assassinado, era matá-lo mais uma vez.

Essa cicatriz fica menos dolorida hoje, diante de mais um passo para que nada disso se repita, para que o Brasil consolide sua democracia e um caminho para a paz.

Excelentíssima Presidenta: temos muitas coisas em comum, além das marcas na alma  do período de exceção e de sermos mulheres, mãe, funcionária pública. Compartilhamos os direitos humanos como referência ética e para as políticas públicas para o Brasil.  Também com 19 anos me envolvi com movimentos de jovens que queriam mudar o pais. Enquanto esperava essa cerimônia começar, preparando o que ia falar, lembrava de como essa mobilização começou. Na diretoria do recém fundado DCE-Livre da USP,  Alexandre Vanucci Leme, um dos jovens colegas da USP sacrificados pela ditadura, ajudei a organizar a 1a mobilização nas ruas desde o AI-5, contra prisões arbitrárias de colegas presos e pela anistia aos presos políticos. Era maio de 1977 e até sermos parados pelas bombas do Coronel Erasmo Dias, andávamos pacificamente pelas ruas do centro distribuindo uma carta aberta a população cuja palavra de ordem era

HOJE, CONSENTE QUEM CALA.

Acho essa carta absolutamente adequada para expressar nosso desejo hoje, no ato que sanciona a Comissão da Verdade. Para esclarecer de fato o que aconteceu nos chamados anos de chumbo, quem  calar consentirá, não é mesmo?
Se a Comissão da Verdade não tiver autonomia e soberania para investigar, e uma grande equipe que a auxilie em seu trabalho, estaremos consentindo. Consentindo, quero ressaltar, seremos cúmplices  do sofrimento de milhares de famílias ainda afetadas por essa herança de horror que agora não está apoiada em leis de exceção, mas segue inquestionada nos fatos.

A nossa carta de 1977, publicada na primeira página do jornal o Estado de São Paulo no dia seguinte, expressava a indignação juvenil com a falta de democracia e justiça social, que seguem nos desafiando. O Brasil foi o último país a encerrar o período de escravidão, os recentes dados do IBGE confirmam que continuamos uma país rico, mas absurdamente desigual… Hoje somos o último país a, muito timidamente mas com esperança, começar a fazer o que outros países que viveram ditaduras no mesmo período fizeram. Somos cobrados pela ONU, pelos organismos internacionais e até pela Revista Economist, a avançar nesse processo. Todos concordam que re-estabelecer a verdade e preservar a memória não é revanchismo, que responsáveis pela barbárie sejam julgadas, com o direito a defesa que os presos políticos nunca tiveram, é fundamental para que os torturadores de hoje não se sintam impunes para impedir a paz e a justiça de todo dia. Chile e Argentina já o fizeram,  a África do Sul deu um exemplo magnífico de como enfrentar a verdade e resgatar a memória. Para que anos de chumbo não se repitam, para que cada geração a valorize.

Termino insistindo que  a DEMOCRACIA SE CONSTRÓI E RECONSTRÓI A CADA DIA. Deve ser valorizada e reconstruída a CADA GERAÇÃO.

E que hoje, quem cala, consente, mais uma vez.

Obrigada.

Depois de saber que fui impedida de falar ontem, lembro  de um texto de meu irmão Marcelo Paiva em sua coluna, dirigida aos militares:
“Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura (…)Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.”

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

de Estrela Ruiz Leminski

meu pai português porreta

desbravou 7 mares

só pelo tesão da viagem

na sua nau catataurineta


meu pai negão

com saudades nem sabia de quê

comeu terra até conseguir a

liberdade real da escravidão


meu pai pajé chefe índio

foi contra imposições e exilios

decidiu não ter mais filhos

e decretou o fim da própria tribo


meu pai samurai que era

depois de se esbaldar de sashimi

ao próprio exército declarou guerra

e diante de todos cometeu harakiri


meu pai revolucionário

correu de encontro a milícia armada

cantando a quarta internacional

e pensando no 18 de brumário


meu pai grego

encontrou Sócrates

lhe ofereceu cicuta

e propôs um brinde

à vida e suas metamorfoses


meu pai enfim era brasileiro

e enfrentando a vida rala

com goles de cachaça

disse sem pestanejar:

-Atirem o poeta ao mar!!!
in''Posia é Não'' ed. Iluminuras 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

HEDON


O hedonismo tem como princípio básico a busca do prazer, enquanto virtude da construção humana. Em geral, aceita-se esta interpretação ética que veio e tem  surgido por simples observação. Outra versão comum assume o hedonismo como bem supremo, um valor fundamental. Filósofos como Hume, Bentham e Mill podem ser considerados fundamentalistas do hedonismo, ao passo que pensadores contemporâneos tendem  rever esta antiga concepção filosófica no sentido utilitarista. Há uma diferença fundamental entre  teorias hedonistas  antigas e  modernas. A concepção moderna volta-se para o prazer do indivíduo; por outro lado as antigas como  as de Hume, Bentham e Mill, baseiam-se numa concepção mais ampla de prazer e felicidade. Nestes filósofos em primeiro lugar está o prazer ou o bem estar da comunidade. O hedonismo moderno recebe freqüentemente a denominação de utilitarismo, porque deixa de fazer parte de uma ética individual ou egoísta para se integrar numa ética social: a maior felicidade para o maior número. Segundo Abbagnano (1960) 2 , "o hedonismo distingue-se do utilitarismo de séculoXX", pois como se sabe esse tinha como princípio não o prazer individual, mas a utilidade dos homens para um prazer único que era servir à sociedade.

Há que se ter cuidado de esclarecer que, utiliza-se o termo hedonismo não no sentido do prazer unilateral, egocêntrico, que restringe todos os fins em si mesmo, mas  a polissemia e suas múltiplas e variadas relações de sentido e significado. Dessas múltiplas relações será extraído um viés como fio  condutor deste estudo que é a busca do prazer através da atividade física e do esporte como livre iniciativa e escolha pessoal, também consideradas por um conjunto de atitudes do summum bonnum - o bem maior, que é o ser humano.

Iniciando por Nietzsche (apud Siebeneichler 1997), filósofo existencialista, que discute a felicidade, E o que é o prazer sem a felicidade? (grifo do autor), em que esta é considerada  uma virtude de tipo especial,  a qual se torna o alicerce da "subjetividade humana". Refuta a lei e a moral separando-as da felicidade, pois estas estão dirigidas  contra o homem, privando-o de encontrar as múltiplas formas da felicidade, que depende fundamentalmente  que o homem esteja seguro e uno consigo mesmo. Justifica-se essa premissa de Nietzsche uma vez que, não será o prazer hedonista conforme queriam os epicuristas, ou seja, a fonte de toda alegria e felicidade?
 Elaine Valéria  Rizzuti

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"POR MARCELO RUBENS PAIVA''

''posse de maconha não é crime''
 
Num estado autoritário, o grupo que toma o poder considera seus opositores inimigos.
A matemática é simples: utiliza todos os meios de repressão para manter a ordem interna. A polícia passa a agir não a favor do cidadão, mas contra.
Durante a ditadura brasileira, a ausência da PM nos campi universitários foi a munição que precisávamos para acabar com ela. Neles, iniciamos os movimentos pela Anistia e Liberdades Democráticas.
As primeiras passeatas e manifestações saíram dos campi. A sociedade civil, inclusive a Igreja, rompeu com o regime depois do movimento estudantil reorganizado.
Num estado democrático, deveríamos dar boas-vindas à presença da PM na USP, para combater a epidêmica violência urbana e dar segurança aos alunos.
No entanto, herança de tempos atrás, as rondas passaram a dar batidas em estudantes a procura de entorpecentes. E flagrou três deles com maconha. A prisão causou protestos, quebra-quebra e a ocupação de prédios da administração.
Não é de hoje que a polícia passa muito tempo revistando a juventude em busca de uma ponta de maconha, para um achaque. A prática existe desde que sou jovem.
Nas ruas e estradas.
Nos postos policiais rodoviários, em que dão uma geral em nossos carros, enquanto passam carros e cargas roubadas, armas e contrabando.
Quem já não foi parado nos postos de Paraty e Penedo e não levou uma geral?
No Rio, basta ver uma placa de São Paulo que a PM faz uma revista dura. E se acha algo, extorsão na certa. A sociedade brasileira quer que parte da força policial continue “perdendo tempo” com usuários comuns?
Os três estudantes da USP foram levados para a delegacia e liberados horas depois.
Alguns defenderam a ação da polícia.
Afinal, fumar maconha é crime, e uspianos não deveriam se sentir acima da lei.
Errado.
A Lei 11.343/06, que entrou em vigor em 2006, revogou a n° 6.368/76 e instituiu novas normas reguladoras quanto à posse de tóxicos (artigo 28).
O crime de porte de substância entorpecente para uso próprio não impõe mais pena de detenção ou reclusão. As sanções previstas são de cunho sócio educativo, como prestação de serviços e admoestação verbal.
Se o artigo 28 não prevê pena de detenção ou reclusão, está descriminalizada a conduta do porte de entorpecentes para uso próprio.
O jurista Luiz Flávio Gomes escreveu: “Se legalmente, no Brasil, crime é a infração penal punida com reclusão ou detenção, não há dúvida que a posse de droga para consumo pessoal com a nova lei deixou de ser crime, porque as sanções impostas para essa conduta, advertência, prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programas educativos, não conduzem a nenhum tipo de prisão. Aliás, justamente por isso, tampouco essa conduta passou a ser contravenção penal, que se caracteriza pela imposição de prisão simples ou multa.”
“Em outras palavras: a nova lei de tóxicos, no art. 28, descriminalizou a conduta da posse de droga para consumo pessoal. Retirou-lhe a etiqueta de infração penal, porque de modo algum permite a pena de prisão. E sem pena de prisão não se pode admitir a existência de infração penal no nosso país”, completou.
Sua tese está disponível no site www.jusnavegandi.com.br.
Não é melhor avisar a PM? Não prestaria um serviço melhor se estivesse atrás dos verdadeiros criminosos?
Bem, no caso abaixo, não cola alegar consumo pessoal.
Nem um rastaman cai nessa…

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

 
Link Vídeo


A companhia J.GAR.CiA convida para a nova temporada do ÁREA REESCRITA, no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. O espetáculo surgiu da pesquisa sobre site-specific, lugares públicos e privados, estuda as possibilidades de diálogo com o entorno urbano e experimenta reescrever espaços e narrativas, tendo como proposta inicial a saída das salas de ensaio e a investigação da cidade.  
Apresentado no galpão do Oficina e no grande porão do CCSP, agora o espetáculo se molda ao espaço orgânico do Centro Cultural Rio Verde, com praça ao ar livre, coreto, minicirco e um auditório em obras. E o espaço físico interfere no processo de reescrita da obra.
Sob a direção de Jorge Garcia e colaboração criativa de todo o elenco e equipe técnica, ÁREA REESCRITA também é uma obra que fala sobre "sair da caixinha", romper limites e não ter medo de ser diferente.
O projeto tem apoio do 8º e 10º editais de Fomento à Dança da cidade de São Paulo.

Ficha Técnica:
Diretor e Coreógrafo: Jorge Garcia
Assistente de coreografia: Natália Mendonça
Elenco: Amanda Raimundo, Cristiano Bacelar, Édson Fernandes, Jerônimo Bittencourt,  Jorge Garcia, Lina Gomez, Martina Sarantopoulos, Natália Mendonça, Natasha Vergílio, Patrícia Bergantin e Suzana Ruiz
Cenografia: Ateliê La Tintota
Direção Musical e Trilha Sonora: Jorge Peña
Edição de Trilha Sonora: Henrique Lima
Design de Luz: Ari Buccioni
Design Gráfico: Sonaly Macedo           
Consultoria de Figurino: Carla Kubrusly
Produção Executiva: Cria da Casa Gestão Cultural  [Cybelle Young  e Priscila Wille]
Assistência de produção: Michelle Karine Sun
Registro em fotos: Silvia Machado
Registro em vídeo: Pisco Del Gaiso
Assessoria de Imprensa: Flávia Fusco Assessoria e Comunicação

Serviço:
De 03 de outubro a 16 de novembro de 2011
De 2ª a 4ªf, às 20h
CENTRO CULTURAL RIO VERDE
Rua Belmiro Braga, 181 - Vila Madalena
Tel.: (11) 3459.5321
Duração do espetáculo: 65 minutos
Faixa etária indicada: acima de 16 anos
Ingressos: R$ 5,00 e R$ 10,00

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dói, 
mas só quando eu respiro.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

NELAS

É dificil não ligar
dar uma de dificil
enquanto tua cabeça
só pensa nela 
ou nelas?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fique sabendo

Nomenclatura das Encadernações

Esta nomenclatura é utilizada com frequência pelos Livreiros Alfarrabistas nas descrições dos exemplares que disponibilizam para venda. Também para futuros "posts" me parece útil que esta nomenclatura esteja presente.

Partes do Livro APartes do Livro BPartes do Livro C


A - CABEÇA: Parte superior de um livro.
B - CABECEIRA: Extremos da lombada.
C - CASA: Espaço entre dois nervos da lombada.
D - CONTRA-GUARDA: Material que cobre a face interior da pasta e a folha de guarda. Em alguns casos, a Contra-Guarda é também a Folha de Guarda.
E - CORTE DIANTEIRO: Lado oposto à lombada.
F - GRAVAÇÃO: Elementos gravados no material que cobre as pastas e lombada do livro.
G - GUARDA: ou Folha de Guarda, é a folha que se coloca antes das folhas ou da capa original do livro a encadernar.
H - LOMBADA: Parte onde se encontram cosidos os cadernos do livro.
I/L - NERVO ou NERVURA: Nas encadernações antigas, eram o material onde se prendiam os fios da costura dos cadernos, atravessando a lombada e prendendo-se à encadernação. Modernamente os nervos são pequenos pedaços de cartão colocados sob o material que reveste a encadernação.
M - PASTA: Interior dos planos. Vulgarmente a Pasta é dado o mesmo sentido de Plano.
N - : Parte inferior do livro.
O - PLANOS: Lados da encadernação.
P - RÓTULO: Etiqueta colada na lombada, normalmente de cor diferente da encadernação, onde se inscrevem o nome do autor, título ou quaisquer outras indicações.
Q - SEIXA: Espaço ocupado pelo material da encadernação e que não é ocultado pela Guarda.
R - TALAGARÇA: Tecido de fios finos usado para consolidar o lombo dos livros depois de cosidos.
S - TRANCHEFILA: Reforço das extremidades do lombo, normalmente de uma tira de tecido.

Fonte: DIAS, João José Alves, Iniciação à Bibliofilia, Lisboa, Pró-Associação Portuguesa de Alfarrabistas, 1994, pp. 35-36

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Notas ao fim da tarde

Quando você menos espera
parece com uma pena roçando seu buço
ou uma folha que cai a sua frente
Quando você menos espera
é um trem que sai do tunel em sua direção
e como que amarrado sem sair do lugar
Quando você menos espera
o choque ocorre
Quando você menos espera

Espere.

sábado, 8 de outubro de 2011


































No próximo sábado, dia 15 de outubro, três dias antes do anúncio dos ganhadores do Prêmio Jabuti 2011, o convidado do projeto O Autor na Praça é o jornalista João Roberto Laque, autografando “Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano”, o livro é um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2011 na categoria livro-reportagem. “A indicação vem a calhar, num momento em que o país é governado por uma ex-companheira de Pedro Lobo de Oliveira na luta armada e que se discute a implantação de uma “Comissão da Verdade” no Congresso para apurar os crimes acontecidos durante a ditadura militar”, diz o autor. O vencedor do prêmio será anunciado no dia 18 de outubro. Durante o evento, no Espaço Plínio Marcos, o livro será vendido a um preço especial (R$ 50,00).
 
Serviço: O Autor na Praça recebe autor João Roberto Laque finalista do Prêmio Jabuti 2011.
Dia 15 de outubro, sábado, a partir das 14h – Evento em espaço aberto ao público.
Espaço Plínio Marcos (Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto) - Pinheiros.
Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 9586 5577 - edsonlima@oautornapraca.com.br.
Realização: Edson Lima & AAPBC. Apoio: Casa Puebla, AEUSP, Artver, Max Design, Cantinho Português, TV da PRAÇA, Enlace-media.com e Restaurante Consulado Mineiro.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Festa na Pompéia

































Conhecido como “a Liverpool brasileira” por ser o berço do rock paulistano, o bairro da Pompéia completa hoje seus 101, portanto, dois eventos serão destaque para a comemoração durante o final de semana: “Pompéia de Todas as Artes por Todas as Partes” e a 6ª edição do Deu Jazz na Pompéia.
Atividades gratuitas em um circuito cultural integrarão visitantes e moradores do bairro em “Pompéia de Todas as Artes por Todas as Partes”, reunindo atrações como shows de rock, aulas de yoga, pintura em telas e porcelana, exposições de livros e imagens, passeio fotográfico, caricaturistas, brincadeiras especiais às crianças, oficinas de construção de reciclados, modelagem em argila, mímicos, lojas, escultura em madeira com o artista Rubens Domingos, entre mais atrações.
Na esquina das ruas Cajaibas e Cotoxó, a 6º Deu Jazz na Pompéia agitará o sábado, com uma maratona musical: durante oito horas, a DJ Ana John intercalará suas apresentações com grupos tradicionais da região, como os gaitistas Harmônicos, Manoel Cruz, Tony Gordon, e outros.
Àqueles que visitarem a festa da Pompéia receberão flores em comemoração ao aniversário e terão ainda acesso à praça de alimentação, ao projeto “Memória da Vila Pompéia”, que visa o resgate da história da região, e ao varal fotográfico “São Paulo Pixel a Pixel – Projeto Pompeiando”.
Festa Pompéia 101 anos
Quando? 7 e 8 de outubro
Grátis

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Computadores.


Andy Rooney ''60 Minutes''. Ele escrevia numa mesa que ele mesmo construiu e escreveu: "computadores facilitam muitas coisas, mas a maioria das coisas que facilitam sao inúteis". Lucas Mendes

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O perfeito imbecil politicamente incorreto



No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião. Saiba como reconhecê-lo. Por Cynara Menezes. Foto: Reprodução
Em 1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Cynara Menezes

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital